4.3.11
Trabalhando numa sexta-chuvosa pré-Carnaval
28.2.11
Heaven knows I´m miserable now
A questão é que eu podia encontrar um ser humano no quarto para dar boa noite, para dar bom dia não que acordo com muito sono hehehe. Podia encontrar alguém quando saio do trabalho, alguém quando estou jantando...
Ambiente corporativo é algo tão opressivo, acesso o YouTube escondida para ouvir o melhor conselho do mundo, se bem que o Morrissey estava apenas desabafando... "In my life, why do I give valuable time, to people who don´t care if I live or die?".
Por que me importo com esses malditos "OK" do MSN? Por que me questiono se ainda sou amiga de certas pessoas? Por que me importo né? Porque ando sozinha demais, e talvez não seja a solidão que incomode, só a falta de partes de mim que estão esquecidas... Porque ainda somos pessoas com orgulho e achamos ruim não ser populares. Ah eu não sou do tipo que almoça com colegas, tudo bem para mim então, eu me incomodava com o nível raso das conversas mesmo. Só estou dando tudo por um pouco de diversão, sem hora para voltar, sem cansaço, sem pensar na conta do fim da noite.
Não sei porque não me acostumo à bipolaridade provocada por baixo nível de nicotina, sono insuficiente e TPM. E porque me atrevo a conversar com pedras nesses momentos. Mas vamos que vamos, isso de trabalhar ainda dá resultado em algum momento. E aquela família dominical me causou até um cadinho de inveja... Ai, vovó, acredita que hoje eu ouvi Robertão? Abuelita, abuelita, minha Lady Laura. Hoje era um bom fim de tarde para comer seus bolinhos de chuva :-)
26.1.11
Mas cê tá de brincadeira né?
24.1.11
Ch-ch-Changes
O inferno é fogo, Lobão tem razão. Até para fugir é difícil. Obrigada, fofinha, por me ouvir e apoiar. Tem sido difícil tanta solidão, para ser sincera, e não ausência de pessoas, mas de pessoas que entendem e se importam.
Sim, eu estou feliz com os novos rumos, mas meu coração tem pressa de trilhar em direção ao futuro e estou debilitada e não quero mais nenhum dia aqui, não sou feliz, não me sinto bem, quero cuidar da vida, ser gente de novo. É tão bom ter a dignidade recuperada!
Ah no tube for me, mas a de hoje seria Changes, do Bowie.
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Don't tell them to grow up and out of it
Ch-ch-ch-ch-Changes
(Turn and face the strange)
Ch-ch-Changes
Where's your shame
You've left us up to our necks in it
Time may change me
But you can't trace time
Ch-ch Changes turn and face the strange!
21.1.11
Dançando com o deus Mu
13.1.11
I-ching
Nesta falta de liberdade exterior os homens com freqüência perdem também sua liberdade interior. A transitoriedade da existência ou os impele a uma euforia desenfreada, a fim de gozar a vida enquanto ela dura, ou se deixam levar pela tristeza e desperdiçam um tempo precioso lamentando a aproximação da velhice. Ambas as atitudes são erradas. Para o homem superior é indiferente que a morte esteja próxima ou distante. Ele aprimora-se, aguarda sua sorte e assim consolida seu destino.
Tradução que sempre se revela: não banque a reclamona nem a porra loca, Mary! Aproveite seu atual trabalho para aprimorar-se mas não se aprisione e siga em busca de oportunidades melhores, só não pegue a primeira coisa que aparecer.
E aí, céticos? Aguardo retaliações ou reflexões, vocês são tão tolinhos. O racionalismo é uma face da vaidade e da insegurança, o medo limita. Não confio em conhecimento que restringe. Tenho dito!
12.11.10
Aquela Coisa
Quando disse que não vejo muita dificuldade em associar religião e ciência era nesse sentido, principalmente. O lance de pensar positivo tem explicações biológicas, psicológicas, religiosas e filosóficas.
O estresse é prova de como uma mente envenenada interfere no corpo físico, só para dar um exemplo. Mais do que isso, é fácil perceber esquemas de pensamento que criamos como uma certa defesa. Baseados em nossa biografia, vamos criando padrões para evitar repetir aquelas experiências dolorosas, mas se houvesse uma regra nessa linha ninguém nunca andaria de bicicleta, para lançar outro exemplo clichê.
É preciso cuidado ao se definir como “briguento”, isso quer dizer que até hoje a pessoa agiu assim e não que seja incapaz de agir diferente. Mas claro que é muito mais fácil agir pela maneira habitual.
Agora vamos à parte biográfica deste lindo textículo. Eu estou acostumadinha a reclamar que “pô, a banda X vai fazer show e eu nem vou poder ver”. Daí quando a Dilma ganhou e seria o dia mais feliz desse ano (devido a meu pessimismo e tendência a reparar no pior lado de tudo, eu estava enlouquecendo com esses esquizofrênicos das classes mais baixas que votam no Serra, internação pra eles), eu estava com a MAIOR ENXAQUECA DO BRASIL e nem pude ir lá na Paulista ver o Alceu Valença. Por motivos pecuniários, tampouco fui assistir ao Belle and Sebastian. Mas eis que posso ter 453 recaídas, não desisto de ser feliz. E agora...
Oi, eu vou ver a Norah Jones! Oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Eu vou ver a NORAH JONES, ao lado de casa, DE GRAÇA. Chupa essa manga, encosto! Eu já disse que eu ADORO a Norah Jones? Eu já disse que eu tô muito feliz com isso?
Ah, mas sobre as crenças-monstrinhos-do-Packman, meu correligionário cósmico, Raulzito Seixas, o bahiano barbudo, quando eu tinha uns 14 anos cantava assim lá no meu minisystem “Minha cabeça só pensa aquilo que ela aprendeu, por isso mesmo, eu não confio nela, eu sou mais eu...”. Na minha arrogância mirim, eu não entendia de jeito maneira o que o arretado queria dizer com isso. Eu estava estudando filosofia no colégio, era super pró-racionalismo e, na minha ignorância, eu pensava que o que temos na cabeça é tudo, que a merda era ser emotivo, e não captava... “como assim, vc duvida do racionalismo, Raulzito”?
Mesmo assim eu gostava deveras dessa canção, primeiro pelo nome, porque o Raul Seixas tem o dom de fazer da simplicidade algo supimpa e o título dessa é “Aquela Coisa”. E, segundo, por que ele encorajava a gente a seguir e desencanar das pequenezas monstrengas criadas pela ração do ego racional.
Então, seguem vários vídeos de canções felizes, agora eu vou curtir meu feriadão, até segunda e um beijo na bunda. La La La...
4.11.10
Humano, demasiado humano
Acredito que a vida seja basicamente a mesma para todos e que a verdade seja uma só exposta em diversas linguagens e fragmentos, de acordo com características ambientais e pessoais.
O lance é que todo o conhecimento adquirido (de fato, relembrado) não ameniza as fraquezas humanas.
Tenho a sensação de ser uma das poucas pessoas despertas em meio a uma maioria de pessoas adormecidas. E é uma luta vã em alguns momentos, a saída de fato seria um isolamento maior, restringindo-me a convivência com pessoas com quem tenha bastante afinidade.
Incrível como ao transitar por diversas correntes filosóficas, chega-se a conclusão de que são tudo pedras do mesmo caleidoscópio.
O auge do meu egoísmo talvez seja querer ajudar como disse Raul Seixas. E isso é o maior sofrimento, porque as pessoas estão num nível de entorpecimento que parece que a dissonância é minha.
Hoje eu escutei “a sociedade tem seus padrões, e quem foge a eles, é um estranho”. Um ser humano não é uma ovelha num rebanho de clones. E mesmo os clones não são exatamente idênticos.
A frustração é não ser capaz de trazer à luz essas distorções que alimentam a infelicidade. Não faz sentido uma harmonia solitária. E uma andorinha só não faz verão. É uma sensação indescritível sentir-se dissociado do resto da humanidade.
O maior barato no melhor sentido da palavra é encontrar semelhantes. E encontrei pessoas que sentiam exatamente o mesmo. Sinal de que não estou só.
Como desafio, no entanto, a proporção de semelhantes é infinitamente menor do que de entorpecidos. E humana que sou perco as forças diante de tamanha correnteza. Pobre de mim que preciso tanto da atenção alheia e vivo a maior parte do tempo em lugares onde “todos estão surdos”.
Sim, todo mundo é gente, os nordestinos, bolivianos e demais diferentes também. As religiões idem, são todas unidas pelo fio do desenvolvimento espiritual, à parte costumes e convenções relativos ao tempo e espaço de sua origem.
Não vejo a menor dificuldade em ligar ciência e misticismo. A cada dia, a ciência afirma o que já era dito há milhares de anos.
Também não acho tão difícil exercitar a empatia ainda que no plano mental apenas. O que será que torna alguém de cabelo verde assim tão incômodo? Ou alguém que abortou? Ou alguém carente? Provavelmente, o incômodo vem do espelho na medida em que se reconhecem fraquezas comuns que continuarão no calabouço. E também da inveja da coragem em realizar desejos e vencer culpas que ficarão igualmente trancafiados.
OK, “seja uma pessoa gelada, uma pessoa clonada, ovelha Dolly, Dolly”. “Sua inteligência ficou cega de tanta informação”. “Hey amigo volte logo, venha ensinar meu povo, que o amor é importante, vem dizer tudo de novo.”
30.9.10
Just smile and keep singing
A rotina e a frieza das pessoas, em conjunto com outras circunstâncias pouco afáveis, vão tirando nosso viço, deixando a gente de sorriso amarelo.
É tanto recalque nesse mundo, mas tanto. Eu vez por outra perco o entusiasmo. Mas sempre temos nossos revigorantes. Desde um novo sabor de picolé à lembrança do nosso bichinho de estimação ou um recado de alguém querido, surgem faisquinhas no nosso dia-a-dia quando tudo está fosco.
A Mallu sempre me surpreendeu pela coraqem, na idade dela eu costumava cantar letras escritas por mim, para os mais chegados. Faz tempo que não brinco de botar melodia em nada.
Outra identificação é com a sinceridade. Só que eu tenho tendência a agredir, a querer chocar, até como defesa à insensibilidade alheia (tem gente que foi embalado a vácuo, e usa coração mecânico). O que encanta nessa fofura cantante é justamente isso: ela é doce. Tem a boa-disposição para encarar as pessoas, típica da juventude. Com o tempo, vai dando uma preguiça da convivência com os diferentes.
E eu vou ver o talento juvenil ao vivo e sou grata ao Luli por ter me avisado. I find the pa pa pa...
Ninguém tem esse sorriso.
5.7.10
Para John Keats

Eu perguntei aos búzios e orixás
E garantiram que estava a te amar
Não pela angústia aflita da ausência
Pela paz da presença lembrada
Não obstante todos quizás
Silêncios que fizeram chorar
Muito maior se fez tua presença
Sentida,querida e velada
Envolta pela cor lilás
A intuição de que vais retornar
Faz do tormento impermanência
E da tristeza, derrotada
A dor não alimentará
Amor nenhum vi triunfar
No leito turvo da descrença
Antes na certeza iluminada
Eu perguntei ao meu orixá
Se doer legitima o amar
Negada e refutada tal sentença
A dor é desamor, é nada
Amor só é bom se doer, dirá
Os sinais farão vislumbrar
Mais poder tem a clarividência
De saber-se intimamente bem-amada
2.2.10
Amanheceu em Sol maior
Ambos
Gritos e obscenidades
Era madrugada
Ameaça de manhã
E o despertar
Se deu na metralhada
Discussão que se acendia
Naquele trecho da cidade
Encolhida no divã
Era dia e eu não cria
12.1.10
Reflexão durante o expediente
12.11.09
Toda aquela paz que eu tinha
Mas resta
Passou batido
Mas resta
Entrou no ônibus
Mas resta
Fechou os olhos
Mas resta
Beijou outros lábios
Mas resta
Deitou e dormiu
Mas resta
Fingiu que esqueceu
Mas resta
Disse que não quer
Mas resta
Resta assim em berço esplêndido
No sono do porvir que não veio
Resta o descanso do cansaço frustrado
Resta a restauração da vida após o vazio
Rest in peace, meu amor
30.7.09
Liqui-DADA
Esmagar até liquidá-lo
Líquido!
Eu guardaria em uma garrafa
Ricamente ornamentada
E tomaria um tiquinho
Toda manhã
Só umas gotinhas
Pra durar o quanto possível
O quanto eu consiga te poupar
Só pra não ver teu fim!
25.6.09
A mídia endurece

Sem delongas. A mídia endurece porque é overdose. Sempre critiquei o “Réquiem para um Sonho”, por conta do exagero imagético do diretor, porque chega uma hora, em que eu, ao menos, simplesmente amorteço. Não sinto mais.
E é assim com notícias tristes e celebridades “causators”, eu fiquei mais triste com a tragédia do vôo 447, do que com a morte do Michael Jackson. Até a Farrah Fawcett, que eu nunca vi na TV, me entristeceu mais. Acho mais comovente uma atriz que vivia a segunda metade da vida dignamente tratando um câncer do que o rei do pop. Por quê?
Porque o Michael Jackson aporrinhava. Era uma loucura atrás da outra, a única vez que me lembro de ter ficado simpática a ele, foi quando ouvi boatos de que ele foi maltratado na infância. Loucura e ego TÊM LIMITE.
O Michael parece que fez acordo com jornalistas, todo dia ele paria um furo. Pendura filho na janela, vai pra Bahia, abusa de menores, casa com a filha do Elvis, sei lá, eu simplesmente não me importo. Não me importo com a vida dele, nem com o casamento da Angelina Jolie com o Brad Pitt e nem com a carreira do Roberto Justus. Isso pra mim é estalactite da pior espécie.
Não consigo sentir falta do Michael, ele era um joguete de si mesmo e da mídia. Ouvir Jackson 5 será igualmente prazeroso, para mim o seu talento está dissociado de sua pessoa, assim esquizóide mesmo. A mídia faz isso, separa o corpo da alma, o Michael deixou de ser um humano, para virar um spam, um pop-up.
9.9.08
Tua substância
Substância branca
Temperada pelo desejo
Salpicada no teu corpo
Ganho elasticidade
Você me estica toda
Meu peso no teu peito
Sandices sustenidas
Confissões suspiradas
Quero-te ainda mais
Para além da insistência
Febril de que sou vítima
Quando caída a seu lado
Toda tua fragilidade
Eu embrulho no meu manto
E asseguro que te escuto
Teu melodrama
Tua lama
Tuas foices
Minhas asas
Para sempre
Tuas omoplatas
Meus seios
Meu sumo
Meu sulco
Meu corpo
Para sempre
Teu refúgio
14.8.08
Auto-flagelo
É também o que não quero que me abandone
Quimeras mil
Banalidades da existência
Ameaçam todo o por-dentro
Que se manifesta esquizofrenicamente
Hiperativismo sem pátria
Só hasteio a bandeira da existência
Sobreviver é preciso
Existir talvez mais
O trivial poderia ser divino
É minha alma quem reinvindica
Sem rédeas não se caminha
Contraditoriamente
Meu domador cochilou
Depois daquela sessão de cinema
Meus olhos liquefaziam-se
E ele se perdeu na rodoviária
Eu preciso do chicote
Muito mais do que do copo
Acredite-me
Quimeras em estado líquido
Estão em franca decadência há tempos
Ruínas seculares de labirintos
Eu só quero abrir a porta!
6.5.08
This rose will never die
8.4.08
Não vá dizer que eu não disse
Sim, eu tenho planos, sonhos e prateleiras.
Sim, eu tenho CDS, livros e filmes.
Sim, eu tenho um emprego.
Sim, tenho bastante trabalho a fazer.
Sim, tenho amigos.
Sim, tenho família.
Sim, tenho animais de estimação.
Sim, tenho contas pra pagar e problemas pra pensar.
Sim, tenho muitas lembranças.
Sim, tenho auto-estima.
Sim, tenho sono.
Sim, ainda assim, gostaria de ter você.
16.10.07
De amor e de sombras
E te vi e fiquei descompassada.
Aí a cada dia, o brilho vai se perdendo entre
bobagens burocráticas e gente mal amada.
A correria ensandecida não deixa espaço pro
romantismo, mas você deve imaginar que eu
não abro mão de amor vivido.
Deve nada, você nem imagina o quanto eu
tenho para te divertir, te faria rir até de manhã.
E a cada garota que você olha, meu dia fica com
mais neblina.
Visto o traje da desesperança, de quem sabe que
não perdeu porque nunca teve.
E é isso que retumba no vazio de não fazer
parte da sua vida: por que não eu?