26.5.06

About a child

O garoto se chama Téo, põe dois chicletes na boca e cola as figurinhas na mesma mão (assim como eu quando tinha a idade dele, cute). Depois informa ao pai que quer danone, o pai lhe dá dois danoninhos às colheradas. Vendo o lixo que resta, ofereço uma sacola. Por sorte era dos Incríveis. O garoto não quer a sacola como lixo, a quer como brinquedo. Rio quase o tempo todo. Ele diz que vai fazer uns estragos no ônibus, o pai (que parece o Nicolas Cage) lhe explica que então ele, tão pequenininho, terá de trabalhar como escravo e comer verdinhas para pagar o conserto. O garoto fica pensativo. Olho pra ele, estamos sérios, sorrio e ele retribui, é a criança mais linda que eu já vi. Tão bonita que é impossível ralhar com ela, rio de tudo que faz. Chegou a hora de partir, tento dar tchau, mas ele estava brigando com o pai. Quando vê que fui embora, grita "Tchaaaau". E eu respondo: tchau, amiguinho!

(Andar de ônibus é cansativo, mas também é poético)

22.5.06

Xeque-mate

Sacou o cheque
Despediu-se do chefe
E foi tomar um chá mate

Levou a bota do chefe
Recebeu em troca um cheque
E uma xícara de chá mate

O último gole de mate
Em seguida assinou o cheque
E nunca mais quis ser chefe



This is something specially for you

No calor da mente
Bate a vontade quente
De te fazer aquela proposta

Mas tem que ser irrecusável
Como crime inafiançável
Tem que ser do tipo que bate fundo

Vamos colorir o ordinário?
Fazer um amor visionário
E deixar o mundo pra trás?

Numa noite qualquer
Um homem e uma mulher
Dupla de fogo e de mel

Eu, de puta.
Você, de gângster
Incendiando tudo
Pondo a cidade abaixo

Danger!
Danger!
Danger!

28.4.06

Faria uma poesia para você
Se você fizesse sentido para mim
Mas tal qual não faço diferença alguma
No mundo que você construiu

Fico sem palavras frente a quem não lê
A lírica monossilábica do meu sim

25.4.06

Escrevi isso ano passado...

Uma garota. Dúvidas, desejos e anseios a permeiam, ela tropeça. Cai e se levanta.
Não se sabe aonde vai, mas sabe-se o que se quer. E ela sabe. Ela o quer. Talvez não seja passível de explicação plena, mas no furacão de seus momentos, ela o abraça, o amassa, o apalpa e sabe que é bom tê-lo e tem certeza de que ele também gosta. Talvez fossem feitos um para o outro, talvez fosse atração, mas ele a hipnotiza com alguns movimentos, a voz melódica, um certo grau de timidez e recolhimento que o iluminam num charme ainda maior.
Mas fora desse âmbito de dois, há toda a vida. E todas as vias que ela implica que se tome. Pouco sabe da vida dele, exceto algumas frases deixadas ao acaso, puro escape da boca de outrem. É provável que aprecie bons livros, talvez boa música. É provável que faça sexo. Mas na vida tudo é provável e é isso que a corrói, dúvidas. Haverá luz no fim do caminho? Haverá cores finda a escuridão?
As frases, as frases são muito caras a ela. Gosta de lembrar-se de tudo o que lhe disseram. Que venha a praga, a guerra e o fim. Tudo o que fica são lembranças. Talvez seja esse o valor de bons diálogos. Há algo de visceral que sai da alma quando se fala sem pensar, a beleza emprestada ao ar por meio de frases generosas, passionais, emergenciais, ou simplesmente, espontâneas.
A beleza nos é cara, mais do que o alimento. A beleza enternece. Mas não se vê muita beleza em dias cinza de cigarros muitos e pouca conversa. A composição é a arquitetura das relações. Conversar é como andar de mãos dadas, é compartilhar, dar-se a conhecer, exibir alguma polegada de face oferecida à contemplação. Coisa rara, mas nem tanto.
E ela queria falar-lhe, ouvir-lhe. Tudo o que sai da sua boca miúda é sagrado, tem valor, deve ser levado à sério. Não é idolatria, é encanto.

22.4.06

Presentinho da Lets para mois:

BIA


Beatriz

Beatrix

Bia –s- fera

Bia por um triz

Bia atriz

Bia nada trisca

Atroz atriz Mono Bi atriz

Zirtaib

Bia nada beata

Bia brinca

Bia é um brinco
Meu amor de fato
Nunca mais ninguém terá
Pra fatiar

Serei apenas tua
Como é minha
A tua manha

Eterna manhã
Madrugada ensolarada
debaixo dos lençóis

6.4.06

Augusto dos Anjos nas mãos
Pregos nos pés
Ácido na língua

Flores mortas no peito
Gelo por toda cavidade óssea
Frio frio frio

Um cigarro de ópio aceso de quando em vez
Aventa suas cinzas pelo chão

Desprezo!

24.9.03

E eu continuo procurando estágio, mas tá embaçado...
Meus pés doém fundo na minha alma, salto defintivamente é pra poucos.
Pretenders tava tudo de bom ontem, tocaram várias músicas clássicas e algumas novidades também. Eu estava atrás da grande, bem em frente ao centro do palco, foi maravilhoso ver a Crissie Hynde de perto, falar com ela...cantar com ela..
Na hora que rolou "Hymn to her" ela veio perto da galera do lado esquerdo e do lado direito, quando ela estava ´`a esquerda, nós da direita já estávamos cantando com ela e quando ela veio do nosso lado, não se conteve de alegria, virou o microfone pra gente e então só a platéia cantou, foi lindo, todos juntos: "She will always carry on, something is found, something is lost, they will keep on speaking her name, some things change, some stay the same"
Ah e toda hora que ela vinha perto da galera e não estava cantando, eu berrava desesperada "Play Stop your sobbing Crissie please!"
E aí então quando ela começou a cantar "It is time for you to stop all of your sobbing...", apontou pra mim e disse for you! Demais, inesquecível.